A contraofensiva dos idiotas

A contraofensiva às instituições de ensino superior públicas não deveria ser surpresa a quem vivencia a era da anti-política, do culto à ignorância como virtude democrática e da barbárie. Sendo as Universidades ambientes onde Jair Bolsonaro e seus apoiadores jamais foram prestigiados e há uma grande rejeição às suas ideias, não apenas por uma questão civilizatória, mas também porque o ambiente nunca foi propício à proliferação de princípios conservadores (ou reacionários), a alternativa era sucatear as instituições de ensino superior públicas atacando um de seus pilares: a pesquisa científica.

E por falar em pesquisa, o referencial teórico dessa perspectiva tacanha é a ideia de que as Universidades e intelectuais têm grande estima pelo comunismo e por isso orquestram uma verdadeira revolução cultural, nos termos propostos por Gramsci. Essa compreensão é disseminada por quem se tornou o principal pensador da direita brasileira, Olavo de Carvalho, para quem, após o fracasso das previsões marxistas de que a humanidade entraria em uma marcha inexorável rumo ao socialismo, já que o proletariado foi hostil às ideias revolucionárias e aproximou-se dos interesses capitalistas, o que levou os teóricos coletivistas à conclusão de que era necessário modificar primeiramente a mentalidade para transformar a condição social e não o contrário. Para perseguir esse objetivo, os esforços da intelectualidade se voltaram contra a estrutura da civilização ocidental, com ações que consistiam em promover alterações na cultura, destruir a fé religiosa e a linguagem.

Surge, então, o termo marxismo cultural para definir uma tendência acadêmica desenvolvida inicialmente por Lukács e Bloch, tendo ganhado impulso entre 1920 e 1970 e que foi bem melhor interpretada por Merquior (que a denomina de marxismo ocidental) e a explica como um pensamento marxista não-soviético que se interessa majoritariamente pela cultura, criticando tudo que possibilitou o desenvolvimento da civilização burguesa, sustenta que a tarefa do proletariado é a recriação da comunidade como fenômeno cultural (não mais social) através da hegemonia (predomínio social antecedente ao predomínio político, ao contrário do que tentaram os revolucionários soviéticos) que tem nos intelectuais seu principal personagem para promover as alterações necessárias em uma sociedade urgentemente necessitada de redenção e que, após 1970, com o esgotamento das teorias sobre esse pensamento, se tornou uma forma de contracultura institucionalizada, especialmente com o fim da Cortina de Ferro, que significou o triunfo do capitalismo e enfraqueceu ainda mais o socialismo e o comunismo como sistemas econômicos implementáveis, tornando o desconstrucionismo cultural a única abordagem viável para manter os ideais coletivistas vivos.

Em assim sendo, atualmente os conservadores acreditam sinceramente que há um processo em andamento que pretende a destruição da família tradicional, da religião, da heterossexualidade, do gênero humano, enfim, uma ofensiva contra o mundo como o conhecem e o valorizam, e cujo gérmen está nas Universidades públicas, que permitiram a colonização da ciência pela política e onde há pouco espaço para pluralidade ideológica (até pouco tempo atrás era difícil que pessoas conservadoras  se assumissem politicamente nas instituições de ensino superior públicas, já que isso significa um verdadeiro suicídio social – e não sem razão em um país onde os pretensos expoentes do conservadorismo se tornaram porta-bandeiras da barbárie civilizatória).

Para combater essa tendência, organizaram-se estrategicamente para eleger os candidatos que se opunham às legendas tradicionais e defendiam as pautas que estavam em processo de desconstrução, alçando aos Poderes Legislativo e Executivo os bárbaros da República, que adotam a incivilidade como método político e institucionalizaram a violência, dando ares de legitimidade democrática a grupos cujos interesses são pouco louváveis, pois o que existe, na verdade, é a não superação de um cenário de Guerra Fria, imensa desconsideração com ideias de justiça social, um total descompromisso na promoção de uma sociedade de livres e iguais, um neomacartismo da pior espécie e, por fim, um profundo ressentimento daqueles que jamais serão prestigiados – em virtude de sua pequeneza intelectual e humana – em um ambiente acadêmico. E apenas o manto da austeridade mal direcionada seria capaz de mascarar tamanha alucinação coletiva. 

Cem dias de muito trabalho

A minha vontade de entrar na vida política nasceu da minha experiência enquanto médico do SUS. Podemos fazer muito na medicina pública, mas não podemos resolver todos os problemas, infelizmente. Ser deputado estadual me possibilita encarar as dificuldades com uma visão global. É desta forma que tenho pautado o meu mandato: tentando olhar os problemas do nascedouro à possível solução. Conquistar o mandato de deputado estadual era um dos meus maiores sonhos.

Assim que recebi a notícia da vitória, comecei a buscar conhecer mais o parlamento, comecei a conversar mais com os que ali estavam. Comecei a aprender e ajustar as minhas expectativas mais românticas em linhas mais reais de trabalho. Isso diminuiu em nada a minha vontade de executar o melhor trabalho possível, mas me ajudou muito a permanecer em contato com a realidade das coisas, para não perder a concentração com situações adversas e normais que usualmente afetam os mais ansiosos. Aprender com meus erros, mas também aprender bastante com os erros alheios, sempre fez parte da minha metodologia de trabalho. Ouvir mais no começo, para poder falar mais adiante, foi assim que consegui chegar aqui. Nas vezes que me afastei dessa política interior, colhi resultados desfavoráveis.

No primeiro dia de trabalho, queria homenagear um pouco a minha própria trajetória. Minha única passagem pela gestão pública foram 7 meses como diretor do Socorrão 1. Depois de alguns erros e muitas injustiças que me invisibilizaram por 4 anos, voltei ao jogo. Era preciso fazer algo impactante e que fosse verdadeiro para mim.

Lembrei do que tinha me colocado no cenário da vida pública, justamente a campanha de arrecadação de insumos para o hospital. Lembro que alguns opositores da prefeitura tentaram macular a beleza da ação das pessoas que ajudaram dizendo que a iniciativa era imoral ou ilegal, tanto faz, estavam errados, mas eu sentia a necessidade de dar uma efetiva resposta. A partir daí, criei o projeto de Lei de Incentivo à Saúde no primeiro dia mandato. Posteriormente, encaminhamos para o Governador apresentar o projeto, pois a Constituição diz que é dele a prerrogativa. Estamos acompanhando a tramitação e estimulando o governo a agilizar os procedimentos de implementação da lei. Acredito que a iniciativa privada pode somar esforços para resolver os problemas mais urgentes do SUS.

Em outra ponta, uma outra preocupação minha sempre foi o atendimento ao câncer no Maranhão. Não sei direito explicar o motivo pelo qual a doença câncer desperta em mim uma atenção profunda, não sei se medo ou vontade de vencê-la, por ser patologia algumas vezes de tão grande vilania. O fato é que sempre acompanhei a situação difícil das instituições que promovem o atendimento ao câncer no país.

Transferindo isso para nossa realidade, acompanhei a via crucis do Hospital Aldenora Bello de perto e, no momento de grave crise em 2019, propusemos ao Governo do Estado a correção do texto do Fundo Estadual de Combate ao Câncer para desfazer alguns equívocos da Lei e, assim, proporcionar que o Fundo seja utilizado sem nenhuma contestação judicial. Havia muitas ameaças legais à lei já sancionada.

Trabalhei muito tempo na Baixada, senti as dificuldades do transporte de ferry-boat na pele. Embarcações malconservadas, passagens caras, sistema de marcação de bilhetes ineficaz. Por vezes, para poder chegar a meu plantão, precisava recorrer a favores para conseguir embarcar, mas sempre pensei: e quem não tem acesso? O que vai acontecer com os pacientes do outro lado da travessia? Sabemos que as doenças não esperam, então, pra garantir a chegada dos profissionais do outro lado, já que parece invencível a falta de padrão de trabalho das prestadoras de serviços de ferry, a despeito do trabalho da MOB e do Procon, apresentamos o PL que trata sobre o embarque prioritário de profissional de medicina ao transporte aquaviário, para que a população da Baixada não fique sem médico por qualquer imprevisto na travessia São Luís/Cujupe. Infelizmente, foi necessário legislar para sanar uma óbvia falta de qualidade dos serviços das concessionárias de serviços de transporte aquaviário.

No que tange à segurança pública, sempre considerei que é mais fácil vencer o crime com informação em detrimento da truculência repressiva. O caminho para vitória contra os bandidos é ataca-los no coração de seus planos criminosos. Por isso, a presentamos um projeto que garante o pagamento de recompensa por informações que auxiliem a polícia nas investigações criminais. Contudo, sem olvidar da necessidade de melhorar a qualidade das nossas próprias ações repressivas, ainda necessárias, buscamos fortalecer a qualidade da nossa PM, com um projeto que destina 20% das vagas dos concursos da PM e do Corpo de Bombeiros para egressos dos colégios militares. Essas escolas inserem os alunos muito precocemente na rotina do militarismo e com a disciplina clássica deste, o aprendizado tem alçado resultados positivos e muito acima da média das escolas públicas do Maranhão. Acredito que os alunos destas escolas estarão bem preparados para fazer da PM e Corpo de Bombeiros, corporações cada vez mais sólidas em conhecimento técnico e humanização.

Ainda sobre essas instituições de ensino básico que são referência em educação, criei outro projeto de lei que destina 20% das vagas oferecidas pelas escolas militares para alunos oriundos das escolas públicas maranhenses, para oferecer a oportunidade de que crianças e adolescentes que não têm uma educação tão boa possam estudar em escolas públicas de excelência e, se assim quiserem, ingressar na carreira militar futuramente.

Quando estava de fora do processo político-eleitoral, sempre imaginei uma forma de fazer com que cidadãos da ponta da sociedade pudessem participar do processo legislativo. Na nossa Constituição Estadual já há a previsão de lei de iniciativa popular, mas pensei em uma forma de permitir ao povo mudar a própria Constituição e por isso apresentei uma PEC para que as pessoas possam propor alterações na constituição estadual. É a PEC DA INICIATIVA POPULAR.

A missão de um parlamentar é legislar, mas acima de tudo, defender aqueles que lhe confiaram o mandato. Num estado como o Maranhão, onde a imensa maioria das pessoas não tem condições de pagar um advogado para ter acesso ao sistema de justiça, é fundamental fortalecer a Defensoria Pública Estadual (DPE). Empoderar aqueles que defendem os mais humildes nos levou a propor outra importante mudança na Constituição Estadual: é a PEC DA DEFENSORIA PÚBLICA, fruto da parceria e do diálogo do nosso mandato com a DPE. Vamos ampliar o rol de legitimados com competência para propor ADI ante o Tribunal de Justiça, legitimando o Defensor Público-Geral do Estado como propositor desse tipo de ação.

No entanto, nem só de projetos de lei e emendas à Constituição é feito o nosso mandato. Temos atuado também nas comissões permanentes da Assembleia Legislativa do Maranhão, com destaque para a Comissão de Constituição e Justiça e a Comissão da Saúde, que, em defesa da sociedade, já fui o relator de dezoito projetos de lei, uma moção e um projeto de resolução legislativa. Enfatizo a relatoria do projeto de lei de iniciativa do Poder Executivo que tratava sobre o empréstimo para o pagamento de precatórios, e que foi um grande desafio enfrentado por nós informar adequadamente os cidadãos sobre a necessidade do Estado em cumprir com suas obrigações, especialmente as decorrentes de condenações judiciais.  

Na presidência da comissão de Assuntos Municipais e Desenvolvimento Regional, propus a realização de Audiência sobre os problemas da Ilha de São Luís. Ainda na mesma comissão, iniciamos o Grupo de Trabalho para discutir a questão dos abatedouros no Maranhão em parceria com a AGED, SUVISA e demais órgãos. Importante lembrar também da nossa participação no PL do Habitar Centro, com emenda que endureceu a penalidade imposta a quem eventualmente tentar fazer mau uso do benefício fiscal da lei.

Na vice-presidência da comissão de Saúde, fiz importantes relatorias e mediei a solução da suspensão das atividades do Hospital Geral de Matões do Norte; também ajudamos suspender a paralisação do serviço de SPA do Hospital Aldenora Bello; retomamos a discussão das 30h enfermagem no estado; fizemos uma Sessão Especial em prol da Fundação Antonio Dino e Hospital Aldenora Bello; emendamos o projeto de lei que reestruturou o Conselho Estadual de Saúde. Emendamos o projeto do RG+, colocando a obrigatoriedade do registro das alergias no documento e regulamentando o preenchimento das condições de Saúde. Na comissão de segurança pública, temos dialogado com as diversas categorias responsáveis pela segurança pública no Estado.

Foram 100 dias ininterruptos de muito trabalho e realizações, que me fazem ter certeza que podemos fazer um grande trabalho pelo Maranhão. Que venham muitos dias mais!

Comissão de Assuntos Municipais altera horário de reuniões para o período da tarde

A Comissão de Assuntos Municipais e Desenvolvimento Social da Assembleia Legislativa decidiu mudar o horário das reuniões para as quartas-feiras, a partir das 13h. O presidente da Comissão, deputado Dr. Yglésio (PDT), explicou que a alteração ocorreu porque o novo horário vai permitir maior debate em torno dos assuntos e análises de projetos.

Concordaram com a mudança do horário da Comissão de Assuntos Municipais vários deputados, entre eles, Hélio Soares (PR), Arnaldo Melo (MDB) e Wendell Lages (PMN), além de Dr. Yglésio, que defendeu a mudança por conta do sucesso da alteração feita pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), para as terças-feiras, às 14h.

“A realização das reuniões na parte da tarde vai permitir que os debates e discussões de assuntos sejam de forma mais exaustiva. As reuniões eram corridas na parte de manhã, por conta de a sessão plenária começar às 9h30. Com a mudança para a tarde teremos como aprofundar as questões”, disse. 

Na primeira reunião, na próxima semana, a Comissão vai tratar da proposta de privatização do Parque Ecológico dos Lençóis Maranhenses, do Governo Bolsonaro. O deputado Yglésio informou que serão ouvidos representante do Instituto Chico Mendes (ICMBio), que administra o parque, em um amplo debate com as presenças de vários especialistas, a exemplo do advogado Diogo Viana, que conhece a legislação sobre o assunto.

O deputado Arnaldo Melo é o autor da proposta de debate em torno da privatização do Parque dos Lençóis. “Vamos criar um fórum para debater o assunto. Os Lençóis são nossos para discutir as reservas naturais. É um tema de relevância nacional e que deve ser assumido pela Assembleia em nome do povo maranhense”, disse.

A República dos Valentões

Crédito: Rafaela Felicciano/Metrópoles

Em 1999, Justin Kruger e David Dunning, pesquisadores americanos, publicaram um artigo no Journal of Personality and Social Psychology intitulado “Unskilled and Unaware of It: How Difficulties in Recognizing One’s Own Incompetence Lead to Inflated Self-Assessments“, que se pode traduzir como “Incompetente e desavisado da própria limitação: Como as dificuldades de alguém em reconhecer a própria incompetência conduzem-no a um julgamento exagerado das próprias capacidades”. Esta pesquisa veio-me à memória pelo desenrolar das recentes notícias dos cortes no orçamento do Ministério da Educação, da ordem de R$ 7.4 bilhões.

Com a posse do presidente Bolsonaro, houve um movimento de instrumentalização do Ministério da Educação com fins ideológicos como nunca visto antes. Primeiro, o então Ministro Vélez Rodriguez, nomeado sem qualquer experiência de gestão exitosa em seu curriculum, aparelhou  os quadros da pasta com ex-alunos de Olavo de Carvalho e servidores militares, iniciando uma verdadeira disputa interna que discutiu: marxismo no ENEM,  Escola sem Partido, hino nacional na escola, porém esqueceu-se de discutir temas verdadeiramente relevantes, tais como: investimentos em educação, indicadores acadêmicos, Plano Nacional de Educação e o destino do FUNDEB.

 Vélez afirmou que “a ideia de universidade para todos não existe”. Com essa concepção pseudomeritocrática tão típica do bolsonarismo, aqueles que não dispõem de meios para tornarem-se “elite intelectual” em tempo hábil, estariam fadados a serem trabalhadores de linha de produção.  Vélez, como o leitor já sabe, foi substituído por Abraham Weintraub, economista e gestor financeiro, com mestrado na FGV. Este, logo após a posse, agindo como mensageiro de Paulo Guedes no MEC, anunciou um corte de 30% em recursos destinados às Universidades Federais, afirmando que os campi seriam produtores de “balbúrdia”. Elegeu três inimigas:  a Universidade de Brasília (UnB), a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Universidade Federal da Bahia (UFBA). Com a reação imediata dos reitores e da comunidade acadêmica, ao invés do recuo no corte, Abraham ficou mais confortável para  estender a “tesourada” em diferentes proporções a todas as instituições de ensino superior federais do país.

Antes disso, o ministro já havia feito a profecia apocalíptica de esvaziar os cursos de Filosofia e Sociologia, que segundo sua visão, em nada contribuem para a sociedade sobre o prisma econômico e que custariam caro aos contribuintes. A tônica do discurso de Weintraub tem sido, desde a posse, a repetição de mentiras levadas ao extremo para produzir fakenews em escala continental, à semelhança nazista.

Na contramão da suposta redução de verbas das ciências humanas para os cursos técnicos, o Instituto Federal de Tecnologia do Maranhão (IFMA), foi “premiado” com uma redução de 38% do orçamento (28 milhões de reais)e passa a ter ameaça de fechamento de suas atividades no segundo semestre. Na Universidade Federal do Maranhão, a situação é igualmente desalentadora. O MEC tem insistido na tese de que estes recursos das universidades federais serão realocados para o ensino fundamental, que proporcionalmente é menos financiado que o ensino superior. “Um estudante universitário custa 3 vezes um estudante do ensino fundamental”, disse Weintraub recentemente em entrevista.

Ainda insatisfeito com a repercussão de suas declarações anteriores, o ministro da Educação chamou o FIES, que ampliou as vagas de ensino universitário no país, de “desastre”. A comunidade cientifica internacional reagiu, criando um manifesto contrário ao desmanche do ensino superior brasileiro, assinado por intelectuais de Harvard, Princeton, Yale, Cambridge, Berkeley e de várias instituições brasileiras. O documento reforça que “as ciências sociais e as humanidades não são um luxo” e defende que “nas nossas sociedades democráticas, os políticos não devem decidir o que é a boa ou a má ciência”. Diante disso, o governo recuou. Uma nota do MEC disse que não haverá corte, mas sim um contingenciamento de gastos. Condicionou a liberação da verba para as instituições de educação superior à aprovação da reforma da Previdência. A barganha do governo Bolsonaro chegou ao nível de colocar em risco a produção científica brasileira.

A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições de Ensino Superior (ANDIFES) mostrou que os bloqueios não pouparam nenhum dos níveis da educação. O MEC bloqueou R$ 146 milhões dos R$ 265 milhões previstos inicialmente, para construção ou obra em unidades do ensino básico. Em relação ao ensino técnico, vitrine do “bolsonarismo-olavete”, todo os recursos previstos para Pronatec, cerca de R$ 100 milhões, foram bloqueados. A desestruturação do sistema de ensino é evidente, não apenas por contingenciamento de verbas, mas por metodologia de trabalho da gestão de Jair Bolsonaro. Há um perigoso entendimento por parte do Governo Federal de que ensino fundamental e superior são antagônicos, porém é evidente a complementariedade entre ambos. É indispensável garantir aos professores do ensino fundamental pleno acesso à universidade de qualidade, para que possa formar adequadamente as crianças e reverter os indicadores ruins que o Brasil tem, especialmente do atraso escolar de jovens. É fundamental garantir a retomada dos investimentos para a educação, pois com a desaceleração do nosso crescimento demográfico, a tendência é de redução da base da pirâmide e alargamento do ápice, com menos pessoas aptas a sustentar uma crescente massa de aposentados. A continuar como estamos, seguindo a correnteza deste rio de ideologias radicais, num barco guiado por valentões arrogantes que acreditam que muito sabem, porém pouco de fato conhecem, caminharemos para o desmanche completo das conquistas de longa data, dos marcos históricos, da chance de um futuro para este colosso chamado Brasil,  cada vez mais distantes dos ideais democráticos. Este é o naufrágio que nenhum de nós aceitará!

Dr. Yglésio volta a pautar a situação dos abatedouros na Comissão de Assuntos Municipais e Desenvolvimento Regional

A Comissão de Assuntos Municipais e Desenvolvimento Regional da Assembleia Legislativa do Maranhão retomou, nesta terça-feira (7), a discussão sobre a atual situação dos abatedouros clandestinos no Maranhão. Da nova reunião participaram os deputados Dr. Yglésio (PDT), que é presidente da Comissão e autor da proposta para tratar do assunto; César Pires (PV); Antônio Pereira (DEM); Ciro Neto (PP); Wendell Lages (PMN); Carlinhos Florêncio (PCdoB); e Adelmo Soares (PCdoB).

Durante toda manhã, o problema dos abatedouros clandestinos foi discutido pelos parlamentares e representes de vários órgãos e entidades. O presidente da Comissão explicou que, para dar prosseguimento à discussão do assunto, foram convidadas as demais entidades envolvidas na questão, como o Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV), Sindicato dos Servidores da Fiscalização Agropecuária, Federação dos Municípios do Maranhão (Famem), Vigilância Sanitária e a Agência Estadual de Defesa Agropecuária do Maranhão (Aged).

Ao final, Dr. Yglésio anunciou que ficou decidido que será feito um grupo de trabalho, envolvendo os vários segmentos, em busca de resultados em benefício da saúde da população. De acordo com o presidente da Comissão, outra proposta é investir em campanhas de conscientização para esclarecer sobre as doenças decorrentes do consumo deste tipo de alimento, uma vez que a ignorância sobre o assunto ainda é grande junto à população.

Mais recursos

Outros deputados destacaram, também, a importância da realização da reunião e fizeram relatos de que vários municípios enfrentam problema de saúde pública por conta da comercialização de carnes oriundas de abatedouros clandestinos. O deputado Adelmo Soares, que foi secretário de Agricultura Familiar do Estado, e o deputado Carlinhos Florêncio defenderam parcerias para resolver o problema para que haja a valorização da cadeia produtiva e a saúde das pessoas.

Já César Pires enfatizou que os participantes lembraram que as Prefeituras não têm recursos para construir e para manter os abatedouros. O parlamentar defendeu que o Governo Estado banque os projetos, e que sejam apresentadas emendas de bancada ou individuais.

Dr. Yglésio recordou que, no dia 23 de abril, a Comissão de Assuntos Municipais iniciou a discussão acerca dos abatedouros no Estado do Maranhão, em reunião realizada na Sala de Comissões da Assembleia Legislativa.

Situação dramática

Os representantes de órgãos e entidades fizeram relatos dramáticos sobre o grande problema de saúde pública enfrentado no interior do Estado, uma vez que, dos 217 abatedouros, apenas 20 estão regularizados. Vários relatos foram feitos, começando pela presidente da Aged, que defendeu a montagem de uma grande unidade, envolvendo todos os segmentos, para resolver o problema e com a finalidade de garantir a qualidade no fornecimento de alimentos de origem animal, através do combate ao abate clandestino.

De acordo com a presidente da Aged, a responsabilidade deve ser compartilhada com parcerias como com as Vigilâncias Sanitárias Municipais e elogiou a iniciativa da Comissão de Assuntos Municipais.

Outra que abordou a questão foi a engenheira agrônoma da Famem, Rita de Cassia Neiva, que lembrou que, desde o ano passado, são discutidas parcerias para garantir o abate de qualidade e que é preciso ter a população do lado dos gestores. Ela também contou que, para evitar que as populações fiquem contra as fiscalizações, investindo contra os fiscais, foram feitos vídeos mostrando os perigos do consumo de carne contaminada.

Sessão Especial faz homenagem ao Hospital Aldenora Bello na Assembleia Legislativa do Maranhão

Na manhã desta terça-feira (07), a Assembleia Legislativa do Maranhão realizou uma Sessão Especial em homenagem à Fundação Antonio Dino e ao Hospital Aldenora Bello. A solenidade atendeu um pedido do vice-presidente da Comissão de Saúde, o deputado estadual Dr. Yglésio (PDT), que convocou os deputados para falar dos resultados, questões orçamentárias e dificuldades de financiamento da Fundação Antônio Dino.

A sessão, presidida pelo deputado estadual Antônio Pereira (DEM), contou ainda com a presença dos deputados estaduais Ciro Neto (PP), Professor Marco Aurélio (PCdoB), Mical Damasceno (PTB), Cleide Coutinho (PDT), Detinha (PR), Daniela Tema (DEM), Thaiza Hortegal (PP), Dra Helena Duaillibe (SDD), Fábio Macedo (PDT), Ariston (AVANTE), além de funcionários e voluntários da Fundação Antonio Dino.

“Devemos sempre agradecer e louvar aos que trabalham dia e noite em busca da cura dos pacientes oncológicos”, justificou o deputado estadual Dr. Yglésio em seu discurso.  Para falar da questão do financiamento do Hospital Aldenora Bello, uma instituição filantrópica que atende majoritariamente pelo Sistema Único de Saúde, o deputado pedetista lembrou o momento de colapso do SUS. Em artigo publicado recentemente no jornal O Imparcial, o Dr. Yglésio alertou que o orçamento da saúde deverá perder cerca de R$ 400 bilhões até o ano de 2036.

O vice-presidente da Fundação Antonio Dino, Antonio Dino Tavares, também alertou para o tema e disse que é momento de discutir a Tabela SUS, segundo Dino o momento das entidades filantrópicas é delicado em todo o Brasil e a discussão da Tabela SUS tem que ser de preocupação da classe política.  Antonio Dino elogiou mobilização do deputado Dr. Yglésio. “A ideia plantada pelo deputado Dr. Yglésio vai dar frutos. Foi muito importante não só falar da situação da Fundação Antônio Dino, do Hospital de Câncer Aldenora Belo mas, também, expor o problema das filantrópicas e, talvez, iniciar um debate da Tabela SUS.”, sugeriu o vice-presidente da instituição. Antonio disse ainda que a não atualização da Tabela SUS pode comprometer não só os hospitais filantrópicos, mas toda a rede atendida pelo Sistema Único de Saúde.

Destinação de emendas

Antes mesmo de realizar a Sessão Especial do Aldenora Bello, o deputado Dr. Yglésio tem tratado da destinação de parte das emendas dos deputados para a Fundação Antonio Dino. O deputado Antônio Pereira lembrou do empenho do Dr. Yglésio na Comissão de Saúde quando sugeriu que cada deputado pudesse destinar pelo menos R$ 100 mil reais das emendas para custear o atendimento oncológico do Hospital Aldenora Bello. Alguns deputados já sinalizaram positivamente a este pedido, como foi o caso do próprio Antônio Pereira e também do deputado Professor Marco Aurélio.

Fundo Estadual de Combate ao Câncer

O deputado Dr. Yglésio lembrou da insegurança jurídica do atual Fundo Estadual de Combate ao Câncer. Esta insegurança tem dificuldade o recebimento de recursos da Fundação via Fundo Estadual de Combate ao Câncer. “Por uma série de empecilhos jurídicos, o Fundo Estadual de Combate ao Câncer passou a vigorar de fato no ano de 2018. Agora em 2019, tomamos iniciativa para dar mais segurança jurídica para o uso do Fundo Estadual de Combate ao Câncer.”, destacou o deputado Dr. Yglésio.      

Na elaboração do texto da lei que instituiu o Fundo Estadual de Combate ao Câncer tem pelo menos três equívocos segundo o deputado. Vício de iniciativa, impossibilidade de um membro do Ministério Público fazer parte de um órgão consultivo e omissão legislativa. O deputado enviou um anteprojeto ao governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), para desfazer estas distorções.

“Equívocos como vício de iniciativa, já que é competência privativa do Governador do Estado a criação, estruturação e atribuições das Secretarias estaduais ou órgãos equivalentes. A impossibilidade de membro do Ministério Público exercer função em órgão consultivo, pelo risco ao comprometimento e autonomia da instituição. Também a omissão legislativa, o texto do Fundo Estadual de Combate ao Câncer é omisso no que tange à possibilidade de transferência de recursos do referido fundo para custear ações de prevenção e combate ao câncer realizadas por instituições privadas de caráter filantrópico, que atuam em complementariedade ao Sistema Único de Saúde.”, justificou.