Doutor Bumbum e os perigos da Medicina do Instagram

O doutor Bumbum é apenas mais um dos muitos picaretas que encontraram nos anúncios patrocinados do Instagram e nas parcerias com blogueiras a fórmula ideal para ganhar dinheiro em cima de uma massa de pessoas obcecadas pela beleza a todo custo, em sua imensa maioria mulheres.

Fazer Medicina de qualidade é algo sério, que implica custos e demanda extrema responsabilidade profissional. Profissionais que sacramentam resultados de “antes e depois” como forma de captar clientes, sem deixar claro que cada organismo pode ter uma reação, estes colegas constroem o próprio sepultamento profissional, pois ao se alçarem ao status de “celebridades”, são massacrados pela opinião pública no momento em que se publiciza o natural insucesso que invariavelmente ocorre num percentual determinado de seus procedimentos.

Toda cirurgia e todo procedimento estético podem complicar. O melhor e o pior médico terão complicações em percentuais variáveis sempre. É indispensável que isso seja lembrado a todo tempo para que não se banalize o exercício correto da Medicina e que não se manche a reputação dos profissionais em geral somente pela má conduta dessa fatia cada vez maior de picaretas travestidos de médicos-celebridades no Instagram. Não entreguem suas vidas a qualquer bandido camuflado pelo número de seguidores nas redes sociais.

Depressão: a doença que cada vez mais bate à nossa porta.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) mostra que, atualmente, 400 milhões de pessoas convivem com este distúrbio no planeta. Além de liderar a lista das doenças mais incapacitantes, a depressão gera gastos na casa dos 800 bilhões de dólares por ano — o equivalente ao Produto Interno Bruto da Turquia.

A situação em nosso país é particularmente ruim: a prevalência de depressão no Brasil é a maior entre as nações em desenvolvimento, com um total de 10,4% de indivíduos atingidos. Ou seja: 1 a cada 10 brasileiros sofre da doença. São dados alarmantes, que levam a um expressivo aumento de 705% na taxa de mortes relacionada a episódios depressivos (incluindo suicídios) nos últimos 16 anos, segundo pesquisa recente.

Convém deixar clara a diferença entre depressão e tristeza. A primeira é uma doença, marcada por sentimentos de prostração, perda de interesse e prazer, culpa, baixa autoestima, distúrbios de sono e alimentação, cansaço e déficit de concentração. Tem diagnóstico e tratamento. Trata-se de doença e não de “fraqueza” ou “frescura”. Essa noção é importante, inclusive para o círculo familiar e de amigos ao redor da pessoa depressiva, pois esta, quando rotulada de “depressivo”, “fraco” ou “problemático”, afunda mais ainda no problema.

Na contramão, a tristeza faz parte do círculo humano das emoções. É normal sentir tristeza durante a passagem que é a vida. Anormal é não sentir tristeza em momentos difíceis e torna-se sinal de doença quando a tristeza impede as pessoas de seguirem adiante. Outro aspecto a ser salientado é que a depressão provoca um intenso estado inflamatório no corpo. Não se trata, portanto, de um estado meramente psíquico.  A relação entre melancolia e males cardiovasculares é particularmente forte. Uma investigação realizada pela Universidade de Bordeaux e sete outras instituições francesas acompanhou 7 313 indivíduos entre 1999 e 2001. Todos eles foram avaliados em quatro oportunidades distintas ao longo desse período. Aqueles que apresentavam altos índices de sintomas depressivos em todas as ocasiões tinham um risco 75% maior de sofrer um infarto ou um acidente vascular cerebral, o AVC.

Os tratamentos para depressão mudaram muito ao longo da história. As terapias com remédios surgiram há menos de 70 anos. Em geral, eles agem no cérebro e aumentam a presença de neurotransmissores relacionados à sensação de bem-estar. A recuperação pode levar alguns meses ou até mesmo ser contínua. Nesses casos, o paciente toma uma dose de manutenção pelo resto da vida, para se certificar de que a depressão não voltará. Por fim, em caso de suspeita de depressão, é importante estimular o paciente a procurar a assistência de um psiquiatra e do psicólogo. A depressão impacta profundamente a qualidade de vida e, cada vez mais, tem provocado mortes. Enfrentá-la é questão de Saúde Pública.

O que são Miomas Uterinos?

Os miomas são os tumores uterinos benignos mais comuns, acometendo 20% das mulheres no período reprodutivo, podendo aumentar para 50%, dependendo do grupo de mulheres estudadas.

Os miomas podem ser de três tipos, dependendo da localização na parede do útero. Os miomas subserosos são aqueles que crescem para fora do útero e normalmente não irão causar alterações menstruais.Os miomas intramurais se encontram na intimidade da parede do útero, ou seja, na espessura da parede, podendo causar alterações menstruais e aumento do volume uterino. Já os miomas submucosos se localizam no interior da cavidade uterina alterando as menstruações, e levando a uma maior perda sanguínea. Além disso, os miomas podem ser únicos ou mais frequentemente, múltiplos.

QUAIS SÃO OS SINTOMAS?

Os miomas podem causar diversos sintomas dependendo da sua localização e seu tamanho como: dor no período menstrual, sangramento uterino anormal, dor pélvica crônica, dor durante as relações sexuais (chamada de dispareunia), sensação de peso na barriga, urinar com mais frequência, obstrução da uretra, saída do mioma submucoso pelo colo uterino. Porém, estima-se que na grande maioria das vezes não causam sintomas, sendo diagnosticados por acaso em um exame de rotina. Devido à sua dependência pelo hormônio feminino, a capacidade de crescimento de um mioma é grande no período da gestação e durante a fase reprodutiva da vida da mulher. Já a redução de tamanho do mioma é possível e esperada durante a menopausa, pois são menores as quantidades de hormônios femininos circulantes.

MIOMAS PODEM VIRAR CÂNCER?

A degeneração sarcomatosa é a degeneração maligna do mioma, no entanto, sua ocorrência é bastante baixa, ficando, segundo alguns autores, na ordem de 0,5%. Por isso, isoladamente não há motivo para se indicar a cirurgia dos miomas. O diagnóstico do mioma é feito através da anamnese, exame físico detalhado e exames complementares. A paciente poderá vir à consulta devido aos sinais e sintomas causados pelos miomas, ou como na maioria das vezes em uma consulta de rotina. Neste momento, é possível fazer um diagnóstico de mioma. Deve-se fazer o diagnóstico diferencial do mioma com diversas doenças, tais como: pólipos de endométrio (tecido que reveste o útero internamente), cistos ovarianos diversos, adenomiose, abscessos tubários, entre outras.

TENHO MIOMA. E AGORA, DEVO OPERAR ?

Em geral, poderá ser indicado o tratamento cirúrgico dos miomas apenas quando são sintomáticos, o que ocorre aproximadamente em 50% dos casos ou em pacientes jovens assintomáticas e que apresentam crescimento rápido dos miomas. As maiores causas de indicação de remoção cirúrgica são o sangramento uterino anormal, infertilidade e dor pélvica. Mioma uterino é uma doença bastante comum e que deve ser tratada de maneira consciente, evitando-se a realização de cirurgias desnecessárias.

Tenho pedra na vesícula, preciso fazer cirurgia?

Tenho pedra na vesícula, preciso fazer cirurgia?

Sim! As pedras não são expulsas naturalmente pelo corpo e devem ser retiradas cirurgicamente, junto com a vesícula, para evitar problemas de saúde, tais como coledocolitíase (pedras fora da vesícula), pancreatite (inflamação do pâncreas) e colangite (infecção da árvore biliar).

Todavia, em algumas situações, a cirurgia pode ser contraindicada. As mais comuns são: pessoas com idade muita avançada, portadoras de doenças graves, ou nas situações em que a doença é não produz sintomas. São exceções, porém!

E o pós-operatório?

O paciente poderá sentir um leve desconforto na região do abdômen. Para controlar o quadro, o médico prescreverá analgésicos e anti-inflamatórios.

Nos dois primeiros dias, é possível fazer caminhadas e atividades sem esforço. Depois de uma semana, já se pode voltar ao trabalho, dirigir. Recomenda-se não ficar muito tempo sentado ou deitado.

É verdade que se emagrece depois da cirurgia de vesícula?

É comum a perda de peso, mas não há relação com o processo cirúrgico em si. É que, no período de recuperação, deve-se adotar uma dieta rica em fibras e com baixa ingestão de gordura, excluindo, portanto, embutidos e frituras. É também frequente ter diarreia, mas desaparece de maneira gradativa. Não se preocupe!

Com a retirada da vesícula, a bile continua sendo produzida no fígado, porém, em vez de concentrar-se na vesícula, a substância escorre continuamente em pequenas quantidades no intestino, para eliminar os lipídios dos alimentos e não a gordura do corpo.

Dá para prevenir?

Trata-se de um transtorno multifatorial, desencadeado por questões hormonais (uso prolongado de anticoncepcionais e gravidez, por exemplo), genéticas e relacionadas ao estilo de vida.

Pratique exercícios físicos, pois o sedentarismo eleva o LDL (mau colesterol) e diminui o HDL (bom colesterol), reduza a ingestão de carboidratos e de gordura, abandone o cigarro e, não menos importante, ao perceber qualquer alteração no organismo, consulte seu médico.

Não espere que as coisas se compliquem! Entenda que a cirurgia de vesícula garante qualidade de vida e menos complicações para a saúde.

Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter, e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto em nossos canais! Até breve!

Por que ainda é tão difícil realizar uma cirurgia no SUS?

Atualmente, as cirurgias mais comumente realizadas no SUS são: tratamento das hérnias de parede abdominal, histerectomia (retirada do útero) e colecistectomia (retirada da vesícula). O tempo médio de espera para esse tipo de cirurgia, em muitos casos, pode ser superior a um ano. Há inúmeros exemplos em que a espera é superior a dois anos.

Os motivos que explicam essa demora estão relacionados ao complicado acesso a exames pré- operatórios, à reduzida oferta de leitos hospitalares, à recorrente falta de condições de deslocamento dos pacientes e à própria dinâmica de aproveitamento da estrutura hospitalar, que se demonstra, via de regra, subutilizada.

A pergunta é: por que temos menos leitos do que precisamos e realizamos menos cirurgias do que deveríamos de fato fazer? A principal explicação passa pelo subfinanciamento do SUS. Com raras exceções, os hospitais públicos recebem seu repasse mensal de acordo com suas produtividades. A famigerada “Tabela SUS” comporta uma série de absurdos, tais como:  o hospital que realiza uma cirurgia de apêndice recebe de repasse ao todo R$ 414, 62 (R$ 253,59 para o hospital e R$ 161,03 para o cirurgião). Fazendo uma comparação simples, salvar uma vida humana custa bem menos do que mandar uma televisão de LCD para o conserto.

É importante destacar que essa tabela (SUS) não tem reajustes há mais de 10 anos, portanto, o que os hospitais recebem fica muito longe do que é de fato necessário para custear suas atividades. Quanto mais pacientes operados, maiores as despesas das instituições e, quanto maior a despesa, maior a dificuldade operacional. A resultante dessa equação perversa é a natural redução do fluxo de cirurgias, fazendo com que os hospitais segurem ao máximo a quantidade de atendimentos necessária à população. Esse fato ocorre tanto nos municípios do interior, que tem parcelas mínimas de financiamento mensal, quanto na capital, que tem uma melhor estrutura financeira, porém uma demanda gigantesca de pacientes provenientes do interior.

A resposta do poder público nos últimos anos tem sido a mera realização de mutirões de cirurgias. Sou da opinião de que mutirões são o reconhecimento do fracasso do Sistema de Saúde em organizar-se. Antes de realizar um mutirão, a regra é acumularem-se tantos casos cirúrgicos a ponto de ficar insustentável a quantidade de pedidos… e aí fazemos o quê? montamos um  mutirão de atendimento para aliviar um pouco a fila. Sem continuidade das políticas de Saúde, voltaremos em breve com a mesma interminável lista de procedimentos, pois as pessoas não deixam e nem vão deixar de adoecer. Ou se muda a forma de financiar os hospitais, aumentando o valor da tabela ou melhorando de outra forma o repasse e a gestão, ou ficaremos fadados a fazer Saúde com aquela “qualidade a preço de R$ 1,99”.

A Crise Econômica e o impacto no Sistema Único de Saúde

Levantamento da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mostra que 1,3 milhão de brasileiros deixaram de ter planos de assistência médica no último ano, com 617.000 novos desempregados só no primeiro trimestre deste ano.

Foram fechados quase 2 milhões de postos de trabalho entre 2016 e 2018, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Previdência Social. Muitos se veem em uma situação econômica difícil e cortar o plano de saúde acaba sendo uma opção para reduzir as despesas mensais. A saída então é recorrer ao Sistema Único de Saúde (SUS), gerando um aumento de demanda na rede pública.

Quando se analisa a realidade maranhense, o impacto da crise é ainda maior. O Maranhão tem cerca de 95% da população dependente do Sistema Único de Saúde e com a queda de arrecadação de impostos, os repasses para os municípios também vem sendo reduzidos. Some-se a isto o envelhecimento crescente da população, que transforma os hospitais públicos em ambientes cada vez mais repletos de pacientes graves, aumentando a demanda por recursos mais especializados e com custos crescentes. É uma equação que não fecha: menos recursos para gerenciar um sistema cada vez mais caro. O resultado disso é o sucateamento dos serviços de saúde, onde vemos a agonia dos municípios em realizarem suas ações de atenção básica e de média complexidade.

Quando um município não consegue custear seu sistema de saúde, a rede estadual fica sobrecarregada. A verdade é que UPA’s e hospitais estaduais/federais apresentaram um aumento significativo na demanda e passaram a ter dificuldades em atender adequadamente a população. É visível o esforço dos gestores responsáveis em aumentar a rede hospitalar, de incrementar os serviços, porém o subfinanciamento da Saúde no país tem deixado marcas profundas. Diariamente, vidas são perdidas por falta de leitos de UTI, de exames complexos em tempo hábil, de ausência de profissionais habilitados.

A saúde da população é o maior patrimônio dos governantes, pelo menos em tese deveria ser. Melhorar a gestão e o financiamento são o caminho pelo qual é imperioso caminharmos.  O SUS é muito mais do que um sistema de saúde: ele é a bandeira da dignidade do povo brasileiro.