O médico e deputado estadual Dr. Yglésio (PROS) utilizou o seu Twitter para externar a preocupação com o tema: “É preciso retomar as cirurgias eletivas urgente”

Com a chegada da pandemia as autoridades sanitárias voltaram suas atenções inteiramente para o combate ao covid-19, infecção humana causada pelo coronavírus (SARS-CoV-2), e as consultas ambulatoriais e cirurgias eletivas no Estado do Maranhão foram suspensas ou desaceleradas a quase zero.

Já são quase 60 dias do decreto (nº 35.6771) que paralisou a vida das pessoas. As outras doenças, porém, não deixaram de causar problemas na saúde dos pacientes. Outros estados, a exemplo de Santa Catarina, já anunciaram a retomada de consultas ambulatoriais e cirurgias eletivas no Estado. Entre as medidas adotadas em Santa Catarina, nesta semana o Governo determinou como medida de segurança, a lotação máxima de 50% nos hospitais para os atendimentos.

O assunto já acendeu o sinal vermelho na bancada da saúde na Assembleia Legislativa do Maranhão. O médico e deputado estadual Dr. Yglésio (PROS) utilizou o seu Twitter, ambiente político, para externar a preocupação com o tema. “É preciso retomar as cirurgias eletivas urgente! Os profissionais da saúde já imunizados podem operar os pacientes também já imunizados para coronavírus.”, sugeriu o deputado Dr. Yglésio.

O alerta também vai no sentido de que outras doenças não esperam uma pandemia passar, ainda mais quando não há precisão de quando iremos ter um ambiente totalmente seguro no ponto de vista sanitário. “Doenças não esperam e os pacientes não podem correr o risco de seus problemas de saúde se agravarem”, disse ainda.

O medo também tem contribuído para que pacientes não procurem atendimento mesmo para casos irreversíveis. Yglésio testemunhou ao jornal O Imparcial, que recentemente um paciente perdeu a visão de um olho por conta de uma úlcera na córnea causada por inserto.

Havia possibilidade de tratamento, mas o medo de contrair o novo coronavírus na unidade hospitalar, fez com que o paciente não procurasse atendimento. “Caso o paciente não tivesse medo de ir ao consultório, amedrontado pela possibilidade de contrair a doença do novo coronavírus”, disse Yglésio.


Em quais condições para voltar as cirurgias eletivas no meio da pandemia?
Não faz qualquer sentido um profissional imunizado não retornar ao trabalho. Unir esses vários profissionais curados, inclusive de diferentes unidades assistenciais de maneira temporária com vistas a dar continuidades às atividades eletivas ajudaria a dar alguma movimentação às longas filas e ao interminável sofrimento das pessoas.

Uma doença que tem mortalidade baixa e letalidade intermediária como a covid-19 é um impeditivo pra quem precisa de um tratamento clínico-cirúrgico com celeridade?

Em um primeiro momento, diríamos que sim. Estudos chineses em Wuhan mostraram taxas de mortalidade tão altas quanto 20% em pacientes que contraíram coronavírus. Poder-se-ia dizer que trata-se de justo motivo pra abolir qualquer terapia não emergencial até cessar a pandemia… Porém, há um caminho que podemos começar a vislumbrar em São Luís.

Você desenvolveu um estudo em que os números apontam para o fim da pandemia já em julho. O momento de planejar a volta das eletivas é agora
Estamos nos aproximando do pico da pandemia, que não tenho dúvidas que virá na primeira quinzena de junho. A solução para encaminhar o diagnóstico e tratamento de todos esses pacientes cirúrgicos e ambulatoriais é iniciar uma triagem de todos os profissionais de saúde, de hospitais públicos e privados, que tiveram a infecção pelo novo coronavírus e começar a estruturar a oferta de serviços por meio desses profissionais imunizados.

Tem como criar uma zona livre de covid? O covid-free?
Apesar de sabermos as dificuldades dessa logística, mas a pandemia veio como uma força tremenda de desorganização que paradoxalmente tem feito cada agente do sistema de saúde reinventar-se e essa deverá ser a principal lição da pandemia pra quem coordena a rede de assistência.