Ação Civil Pública

O médico e deputado estadual Yglésio Moyses (PROS) iniciou uma movimentação local para a revacinação de idosos com mais de 70 anos, imunizados com a CoronaVac. Isso está sendo feito por meio de representações enviadas por ele à Procuradoria Geral do Ministério Público, Defensoria Pública do Estado do Maranhão e Defensoria Pública da União no Maranhão.

Além dos idosos, a Ação Civil Pública movida pelo parlamentar pede que os órgãos solicitem a revacinação, por meio da aplicação de uma terceira dose também nos profissionais da saúde com mais de 60 anos, além de pessoas com comorbidades, mas não com a CoronaVac – entenda. 

Com evidências de casos de internação em UTIs e óbitos de pessoas idosas, mesmo imunizadas com as duas doses da vacina, o questionamento em relação à real eficácia do imunizante em pessoas acima dos 70 anos ganhou força no legislativo estadual. Esse questionamento é sustentado por um estudo realizado recentemente pela VEBRA COVID-19 (Vaccine Effectiveness in Brazil Against COVID-19), financiado pela OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde), o qual apresentou dados preocupantes. 

O estudo, realizado com a participação de 15, 9 mil idosos brasileiros, chegou à conclusão de que com a CoronaVac, com apenas uma aplicação, os pacientes não desenvolvem notórias taxas de imunidade. Com a segunda, aplicada 14 dias depois, isso ocorre, mas “quanto mais idoso, menos imunidade”. 

Em pacientes na faixa de 70 a 74 anos, a vacina conseguiu uma média de 61,8% de imunidade; em pessoas de 75 a 79 anos, essa taxa cai, chegando a 48,9%, abaixo do mínimo aceito pela Organização Mundial da Saúde – OMS, que é de 50%; e em pacientes de 80 anos em diante, a taxa é ainda menor: 28%. 

A partir desses dados, com a baixa eficácia da vacina em idosos, os pesquisadores concluíram também que, mesmo com o imunizante, são necessários outros meios de proteção não fármacos para reforçar a proteção desses pacientes. Essas informações trazidas pelo estudo da VEBRA COVID-19 contestam as apresentadas pela fabricante chinesa Sinovac, a qual, em linhas gerais, garantiu que os pacientes imunizados com a vacina não desenvolveriam casos moderados e graves, tampouco evoluiriam a óbito, como vem acontecendo. 

Revacinação do grupo 

O médico Júlio Croda, infectologista da Fiocruz, em entrevista ao jornal O Globo, destacou que os idosos têm sim uma resposta imune mais baixa, mas com vacinas mais eficazes disponíveis, é tempo de discutir a revacinação do grupo. 

Historicamente, já sabemos que a resposta imune da pessoa idosa é menor. Mas podemos entender quais vacinas possuem os melhores dados de efetividade para essa população. É o momento de discutir, sim, e de pensar qual seria a melhor proposta, à luz das evidências que nós temos atualmente. 

Defendeu o médico infectologista.

Na ação movida pelo deputado, ele também defende o que foi destacado por Croda, destacando que deveria haver a aplicação da equidade na vacinação, isto é, as melhores vacinas deveriam ser aplicadas nos grupos mais vulneráveis, o que não foi feito, mas que pode ocorrer com uma terceira dose. 

Com a movimentação em torno da compra da vacina na época em que começaram a ficar disponíveis os primeiros imunizantes, não houve critério para identificar as vulnerabilidades de cada grupo. O primeiro imunizante disponibilizado foi aplicado nos grupos tidos como mais vulneráveis, a exemplo dos próprios idosos, sem levar em consideração o grau de imunização que teriam as faixas etárias mais avançadas. 

Disse o parlamentar

Em meio às evidências da baixa eficácia, o Ministério da Saúde apresenta indícios de desinteresse na compra de novos lotes do imunizante. Estão sendo priorizadas vacinas mais eficazes, a exemplo da Oxford e Pfizer.

revacinação

O próprio ministro da saúde, Marcelo Queiroga, em depoimento à CPI da Covid, no dia 8 de junho, deu voz ao fato de existir dúvidas em relação à CoronaVac, quando questionado sobre as 30 milhões de doses que ainda não foram compradas. 

– Sobre a vacina da CoronaVac, pairam ainda dúvidas, que para mim não devem se confirmar, acerca da sua efetividade, declarou. 

Queiroga disse que, após reunião com o diretor do Instituto Bantantan, Dimas Covas, o foco será a ButanVac, imunizante brasileiro em desenvolvimento. 

– Eu tratei com o doutor Dimas Covas [diretor do Butantan] e, inclusive, coloquei essas duas opções para ele, e ele sinalizou com uma preferência para a [compra da] ButanVac, até porque a ButanVac é uma vacina que não necessita nem do banco de células”, disse o ministro.

Profissionais de saúde e pessoas com comorbidades 

No documento enviado pelo parlamentar, profissionais de saúde acima de 60 anos e pessoas com comorbidades também estão inclusos. Em entrevista à Rádio Mirante AM, na última semana, o parlamentar justificou dizendo que, no caso dos profissionais da saúde acima de 60 anos, imunizados com a CoronaVac, eles estão muito expostos à covid-19. As pessoas com comorbidades também entram por ser naturalmente parte do grupo de risco, em função da saúde mais fragilizada. 

A Defensoria Pública, em resposta à solicitação do parlamentar, solicitou à Secretaria Estadual da Saúde e à Secretaria Municipal de Saúde de São Luís dados sobre o número de idosos que foram internados em UTIs e que vieram a óbito mesmo após serem imunizados com a CoronaVac. Os dados solicitados devem contribuir para fundamentar o pedido do órgão para a revacinação defendida pelo deputado.