Deputado estadual Yglésio Moyses, membro da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, fala a O Imparcial sobre as ações do legislativo com relação à pandemia, dando destaque à vacinação contra a COVID-19 e as medidas que podem ser tomadas para fiscalizar o andamento deste processo que pode durar até um ano.

PERGUNTAS DEPUTADO ESTADUAL YGLÉSIO MOYSES (PROS)

1.      Deputado, quais são as prioridades da Comissão para este ano?

As prioridades da Comissão de Saúde serão a garantia do atendimento e bom funcionamento dos serviços em saúde nos municípios, de modo que as pessoas tenham o seu direito à saúde respeitado, além de acompanhar a vacinação contra a covid-19 no Estado, que deve durar o ano inteiro e precisa ser observada de perto para que irregularidades sejam identificadas e reportadas às autoridades competentes.

2.      Vocês vão propor mais fiscalizações?

Com certeza. Nós vamos intensificar nossas fiscalizações em saúde, principalmente em relação à vacinação contra a covid-19, que já enfrenta e pode enfrentar mais casos de irregularidades, prejudicando as pessoas dos grupos focais. Nós não queremos isso e vamos lutar contra.

3.      Considera importante a vacinação contra a Covid-19?

Sim. Os estudos mostraram que a vacina tem grande importância para conseguirmos frear a pandemia do novo coronavírus no mundo. Isso porque, pra que a gente consiga diminuir consideravelmente o índice de internações e óbitos, que ainda são muito altos e precisamos evitar outros colapsos como o que ocorreu em Manaus. A coronavac está aí pra isso, assim como a vacina de Oxford/AstraZeneca, desenvolvida em parceria com a Fiocruz.

4.      Sobre a qualidade e eficácia da coronavac em relação às outras, qual sua opinião?

Apesar de não ter a mesma eficácia das outras vacinas (Pfizer – 95%, Moderna – 94,5%; Sputnik V – 91,4%; e Oxford – 70,4%), a coronavac deve ser sim vista como uma saída para a saúde pública por conta de seus resultados, em função de sua qualidade. Mesmo que as outras possam passar da casa dos 90% de eficácia, a coronavac, com seus 50,38%, em se tratando de uma situação de emergência na saúde mundial, é uma das mais viáveis em termos econômicos e de logística, fatores importantes para acelerar a vacinação da população brasileira, algo que a gente não encontra em outras, a exemplo da vacina da Pfizer; possui ótima eficácia, mas precisa ser armazenada à – 70° C, impossível para as pequenas cidades do país, em geladeiras especiais.

5.      O senhor atua na linha de frente da Covid? Já se vacinou?

Como deputado, desde o início da pandemia no Maranhão, estive fiscalizando as ações do governo e dos municípios nessa pandemia, principalmente em relação à aplicação correta do dinheiro público, o que nos permite dizer que, sim, estamos atuando na linha de frente contra a covid-19, assim como a própria imprensa. Como médico, apesar de não tratar diretamente de pacientes com covid-19, também cuido de pessoas nas unidades de saúde, me expondo ao vírus.

Sobre a minha vacinação, farei isso na segunda ou terça, dias 25 e 26, pois acredito na eficácia da CoronaVac e que ela pode contribuir pra essa luta que não é só do Estado, mas de todos nós.

6.      O senhor vem fazendo denúncias sobre o sistema de vacinação? O que está errado?

Estivemos fazendo algumas fiscalizações na Ilha de São Luís. No Centro Municipal de Imunização, no Multicenter Sebrae, nós acompanhamos os trabalhos e identificamos algumas irregularidades, a exemplo de profissionais de saúde que não estão na linha de frente contra a covid-19, que estavam ‘furando fila’ pra tomar vacina antes de suas datas, comprometendo os objetivos do plano municipal de vacinação. Sobre isso, já informamos à Procuradoria-Geral de Justiça e à Prefeitura de São Luís a existência dessas irregularidades, para que sejam tomadas atitudes cabíveis ao caso.

7.      Como e o que seria o certo a se fazer para evitar que furem a fila de prioridades?

Antes de tudo, as pessoas precisam ter consciência da situação. Existe um plano municipal que definiu os grupos prioritários que precisam ser imunizados antes dos demais e quando alguém fura a fila, outras pessoas ficam sem vacina. E o que pode ser feito são fiscalizações mais intensivas das autoridades em saúde pra coibir esse tipo de atitude, além de se estabelecer critérios que possam filtrar ainda mais quem deve e quem não deve tomar a vacina em cada fase do processo.

8.      Qual sua avaliação sobre o seu desempenho na campanha de 2020?

A campanha de 2020 foi um processo atípico, diferente do que a gente viu nas eleições passadas. Uma corrida eleitoral em meio a uma pandemia trouxe uma série de dificuldades principalmente pra nós que tínhamos limitações em alguns segmentos. No entanto, a nossa campanha foi propositiva, durante a qual nos preocupamos em apresentar o nosso projeto para São Luís, propostas que poderiam ajudar a melhorar a nossa cidade, principalmente, mudar a vida de quem passa as dificuldades de viver na periferia da capital, sofrendo com a desigualdade. A nossa campanha foi limpa, baseada na verdade e seguimos assim antes, durante e agora, pois o nosso projeto por uma São Luís melhor e de verdade ainda continua de pé. Chegaremos lá!