Ao lamentar morte de enfermeira, Yglésio diz que profissionais de saúde querem mais que aplausos na varanda
Médico e ex-diretor do Socorrão 1, o deputado estadual Dr. Yglésio (PROS) lamentou a morte da servidora do Hospital Djalma Marques, Maria Madalena Barbosa Sousa, de 61 anos. A nota de pesar foi um desabafo do tratamento dispensado aos profissionais de saúde.
Sobrecarga de trabalho, salários ruins e condições de trabalho péssima, essa tem sido a rotina dos profissionais de saúde, chamados nas varandas de “heróis”.
A crítica também serviu para as ‘homenagens’ que os profissionais de saúde estão recebendo da sociedade: “palmas na varanda à noite”, quando na verdade deveria ser panelaço exigindo condições melhores de trabalho.
“No fim, a uma nação que trata mal a sua enfermagem e os seus médicos, resta apenas a condescendência cega das palmas na varanda à noite. É preciso muito mais, muito mais mesmo… Queremos panelaço exigindo dos governantes dignidade de trabalho, equipamentos de proteção individual em quantidade suficiente pra nos protegermos, não pra fazer de conta, como tem sido regra em vários lugares.”, disse em tom de desabafo.
Yglésio lembra que conheceu profissional de enfermagem em 1999. “Ela preparava a sala cirúrgica e acompanhava os procedimentos sempre disposta. Além de tudo, era muito bem humorada. Era daquelas pessoas que irão fazer falta sempre.”, disse em suas redes sociais.
Madalena é a segunda servidora do Socorrão a perder a vida para a COVID-19. O primeiro foi Sidney Jorge Santos de Jesus, de 51 anos. Sidney trabalhava no setor administrativo.
“De 24-26 óbitos que tivemos até agora, praticamente 1 em cada 10 foram amigos que conheci no Socorrão. Ela se junta ao Sidney agora lá em cima, junto ao Pai. Que ele os guarde bem! A única certeza que tenho é que muitos profissionais de saúde ainda irão morrer por conta do novo coronavírus… Aqui e no resto do país. E essa certeza atormenta a todos nós que trabalhamos pra cuidar de pessoas.”, disse ainda.
O médico disse que os profissionais de saúde não querem e jamais vão ficar calados, morrendo. “Ninguém vai aceitar trabalhar sem EPI, sem o reconhecimento da nossa atividade insalubre e sem o mínimo de segurança. Já passou da hora de sermos valorizados em vida, pois depois da morte é muito fácil vir às redes, solidarizar-se e chamar-nos de heróis! Tudo que queremos é voltar para nossas famílias! Apenas isso!”, desabafou.