Sobre o Projeto Ninar e a incoerência da oposição no Maranhão

Primeiro, a fala do deputado Edilázio:

“O governador Flávio Dino passou toda a campanha dizendo que ia vender a Casa de Veraneio e ia investir esse dinheiro na saúde pública do estado, e assim ele não fez. E quando nós vamos falar desse projeto Ninar, ele se encontra no metro quadrado mais caro de nossa capital.

Ali os vizinhos da Casa Ninar não vão utilizar, todos têm condição de pagar um particular se, por ventura, tiverem um filho com a microcefalia ou com alguma deficiência.

Quem vai precisar do Projeto Ninar é quem está na periferia, é quem está na zona rural, é quem está no interior do estado e vai ter toda essa dificuldade para se deslocar até a antiga Casa de Veraneio”, disse.

“Aqui a matemática é bem simples, se a casa fosse vendida, quantos projetos Ninar dava para fazer no Maranhão todo? Quantos prédios davam para ser construídos em todo o Maranhão? Vendia a casa de veraneio e construía, podia ser no Olho D’água, com o metro quadrado muito mais em conta, construía um em Imperatriz, um em Balsas, um em Bacabal, um em Açailândia, um em Chapadinha, deputado Levi Pontes, construía pelo menos uns oito projetos Ninar só com um que ele está colocando aqui na ponta D’Areia, no metro quadrado mais caro do Estado. Então, fica aqui apenas o meu repúdio à hipocrisia do governador Flávio Dino e o discurso fajuto do governo”, concluiu.

Bem, encerrada a fala do deputado Edilázio, por quem tenho simpatia, mas de quem discordo completamente, faço algumas considerações. Vamos lá…

1. O deputado desconhece que um projeto de atendimento com foco em neurodesenvolvimento é extremamente específico e só a rede pública conta em geral com esse nível de complexidade. Esse nível de atendimento acontece nos grandes hospitais do Brasil, a exemplo do Sarah, Hospital das Clínicas a USP etc.. Não há, via de regra, projetos assim na rede privada, portanto até o morador da Península pode precisar um dia do Projeto Ninar sim.

2. O deputado tenta forçar o Governo a vender a Casa de Veraneio mediante cobrança de promessa de campanha. Por quê? O mercado imobiliário não paga no momento de crise o que a casa vale. Por que o Governador deveria vender com deságio pra dar prejuízo ao erário e depois ser processado pelo MP e pela própria oposição por improbidade administrativa?

3. O local da casa é perfeito: na beira da praia, estimula o lúdico, isolado, sem barulho, reduzindo o stress neurossensorial dos pequenos e pequenas. Imagine se fazem isso ali na Av. Guajajaras com aquela confusão toda?

4. Dificuldade de acesso à casa é outra alegação tola. O Governo custeia todo o transporte.

5. O deputado alegou que fazer o projeto Ninar ali impede de ter em outros lugares. Mais um argumento de baixa relevância. Numa rede organizada e hierarquizada do SUS, como as doenças atendidas pelo projeto não são prevalentes, basta um grande centro que resolva todos os problemas concentrando os melhores recursos e profissionais, é muito melhor fazer um super centro como foi feito do que meia dúzia de centrinhos com baixa resolutividade.

No mais, espero que o deputado Edilázio visite o Projeto. Certeza de que sairá de lá encantado assim como todos nós que visitamos. Por mais projetos assim em áreas nobres, porque não é a área e sim o povo, pobre ou rico, o que de mais nobre no Estado existe.

Ninguém se entende no Brasil

Não se entende mais nada no Brasil. Enquanto o Ministério Público e a Polícia Federal se esforçam pra aparecer a todo custo, mesmo com graves consequências pra economia do Brasil, os parlamentares, atolados em denúncias de corrupção, imersos no mais inegável descrédito, sem condições de se defenderem, embarcam em agendas extremamente antipopulares em busca de garantias mínimas de suas reeleições.

Precisava desse estardalhaço todo com a questão da carne? Em menos de uma semana, a PF conseguiu zerar a balança comercial do agronegócio brasileiro, só com a interrupção das exportações pra China, os prejuízos beiram 1 bilhão de reais apenas com um carregamento, sem contar com os demais países que fecharam as portas pra nossa carne.

Eu sinceramente não consigo entender o desejo de autoimolação dos nossos agentes públicos. Hoje, o que se vê é uma disputa entre os que desejam estampar as páginas dos jornais e as chamadas dos noticiários da TV.

Quando se olha pro Executivo, tudo o que se vê é um presidente ilegítimo, sem apoio popular, professor doutor honores causa em Fisiologismo I, II e III cercado de correligionários mais sujos que pau de galinheiro. A claque não alardeia porque está até hoje envergonhada por ter convulsionado em tremeliques e batuques de panelas contra as tais pedaladas fiscais. Há silêncio coletivo quebrado pelas palmas de alguns que dizem: o governo estabilizou a economia! Mentira! O que aconteceu é que o fogo amigo cessou e deu lugar galhardia entre os corruptos. O corporativismo no Congresso chegou a níveis nunca antes imaginados. Estão todos unidos, silentes, em busca de salvação. Ressuscitaram a ideia do voto em lista. Você vai votar num partido e não vai saber quem é o seu deputado.

Cortaram investimentos com a PEC dos gastos, agora querem cortar recorrendo a um projeto de lei de 1998 os direitos dos trabalhadores. Querem contratar do eletricista ao professor universitário sem qualquer garantia. O governo não atua com base nos interesses do povo, tornou-se mero executor da agenda do empresariado, capitaneados por Skaf’s da vida. O cenário que se avizinha é temerário, porque não importam as estatísticas que mostram que a terceirização reduz salários, instabiliza relações de trabalho, suprime direitos. O que importa é a crença de que o empresariado vai abrir mais vagas. Como? Com estoques em alta, fábricas de automóveis gerando férias coletivas, empresas do setor imobiliário quebrando e caindo em efeito dominó?

O que vai se fazer mais uma vez é desonerar o empresário e gerar para a população toda a fatura da crise. A Bolsa de Valores amanhã abre em alta, o dólar cairá mais uns centavos e você vai achar que tudo estará melhorando, mas nenhuma nação que sucumbiu aos interesses da iniciativa privada contra seu povo alcançou reais níveis de desenvolvimento humano.

Com o trabalho enfraquecido, cria-se o cenário para a Reforma da Previdência descer goela abaixo quase na sua integralidade. Quem quiser ter seu salário completinho, que trabalhe por 49 anos. E só! É absurdo o que estão fazendo debaixo dos nossos narizes. É imoral num país de pobres e miseráveis silenciar em favor de toda essa depravação.

Não temos mais refúgio nos políticos, o Judiciário está entregue toda essa podridão e o Executivo nunca conseguiu ser tão minúsculo quanto agora. Pra onde ir? O que fazer? Poupe, invista, esteja preparado pra enfrentar a maré, mas acima de tudo, nade contra essa correnteza, mesmo sabendo que ondas muito fortes ainda virão por aí.