Sei que muita gente segue preocupada com a situação da covid19 no estado. É difícil conciliar interesses tão distintos em um estado como o nosso, onde há tanta informalidade, tantos autônomos, tantas micro e pequenas empresas e de repente a atividade econômica estagna quase completamente. Do outro lado, o direito à saúde e uma pandemia que conta como agente um vírus medianamente mortal, porém muito transmissível, o que o torna gerador de muitas mortes de maneira desproporcional. Os Estados Unidos já colecionam mais de 40 mil mortes e quero crer que aqui no Brasil teremos muito menos. Não obstante, temos algumas barreiras a vencer… uma das mais importantes é a questão da moradia das famílias de baixa renda, onde é bem comum 3 ou até 4 pessoas dividirem um cômodo. Outra é a alta prevalência de jovens e adultos jovens, que dão ares a estes de superpoderes e lá estão eles, impávidos pelas ruas, vez por outra reunindo-se.

Os hospitais tiveram um tempo pequeno para se preparar, mas muita coisa avançou. Temos ainda dificuldade com EPI’s , mas vejo que caminhamos para uma solução do problema em um curto prazo. Nosso calcanhar de Aquiles ainda é na testagem. Temos pouquíssimos testes e estamos mandando às cegas muitos pacientes com sintomas leves para casa, porém há possibilidade de agravamento com uma janela de tempo que não é muito longa. Devemos olhar para o rastreamento da doença, mapear de maneira precisa os principais focos e daqui a pouco, com o aumento de casos que será normal, discutir medidas restritivas orientadas por região dentro de São Luís. Não será preciso, espero eu, que cheguemos ao ponto de um lockdown, mas precisaremos incrementar nossas estratégias de monitoramento de casos e testagem, para ir apagando os focos da doença que existem por aí.

Aulas provavelmente apenas em agosto, escolas e universidades são as últimas que deverão voltar, sob pena de uma nova onda epidêmica. Termos que ter paciência e saber que provações vêm e ainda virão na vida. Já passamos por epidemias, por guerras, por crises internacionais e estamos aqui, cansados, preocupados, porém resolutos. Eu tenho certeza que essa tempestade passará. Deixará feridos, deixará falidos, mas todos nós passaremos por ela com a certeza de que a liberdade de sair de casa sem medo é um presente divino, símbolo da maior dádiva do Criador: uma vida saudável.

Que Deus nos abençoe!